Ranking de sexo expõe intimidade de 100 mulheres na Internet

Um ranking sexual de origem ainda desconhecida, mas que já viralizou nas redes sociais, chocou e deixou em enorme alvoroço a pequena cidade brasileira de Muzambinho, no estado de Minas Gerais, ao expôr a suposta intimidade de mais de 100 moradoras. Intitulado “Top 100 das P**** de Muzambinho”, o ranking revela o que seriam as taras e preferências sexuais dessas 100 habitantes da cidade, que tem cerca de 20 mil habitantes e onde quase toda a gente se conhece.

Para constrangimento das mulheres citadas, o ranking apresenta os nomes, o local onde moram e trabalham e, no caso de várias menores de idade, até de quem são filhas. Na lista constam de adolescentes a mulheres de todas as idades, muitas delas casadas. Quem criou o ranking não se esquivou a avaliar o suposto desempenho sexual das citadas, e detalha com riqueza de pormenores o que cada uma, segundo o autor ou autores, gosta mais de fazer na intimidade e como se sai. Em muitos casos, as mulheres citadas ainda são ofendidas com alcunhas prejorativas e até mesmo com palavrões que definiriam os seus alegados gostos sexuais.

Dias antes da divulgação do ranking, mensagens enviadas por aplicativos anunciaram que a lista iria ser divulgada em breve e que seria explosiva, o que aumentou ainda mais a curiosidade e tornou a situação incontrolável assim que os nomes foram publicados. A polícia já entrou no caso e está a tentar identificar a origem do ranking para incriminar o seu ou os seus autores, que podem ser acusados de ameaça, constrangimento ilegal, injúria e difamação, além de compartilhamento ilícito de informações na internet.

Polícia Civil abriu inquérito para apurar a origem de um ranking, que expõe intimidades sexuais e faz ofensas a mulheres maiores e menores de idade, moradoras de Muzambinho, no Sul de MG. O caso ganhou repercussão após o conteúdo viralizar por meio de compartilhamentos em grupos de mensagens instantâneas na cidade, que tem pouco mais de 20 mil habitantes. Além de citar nomes, o ranking também atribui adjetivos pejorativos às vítimas.

O delegado Sílvio Sérgio Domingues, da Polícia Civil, contou que diversas mulheres já procuraram tanto a delegacia quanto a Polícia Militar para registrar boletins de ocorrência por terem sido citadas no texto intitulado “TOP 100 Put…de Muzambinho”. Além disso, ainda segundo o delegado, o compartilhamento de listas com diversos teores tem sido comum na cidade e um inquérito vai ser aberto para apurar o caso.

Os envolvidos podem responder por crimes como ameaça, calúnia, difamação, injúria e até falsa identidade, no caso de perfis falsos usados para compartilhar. O juiz responsável pela Comarca de Muzambinho (MG), Flávio Schmidt, pediu rigor às investigações.

O ranking

O ranking compartilhado traz o nome de mais de 100 mulheres de várias idades, casadas e solteiras, atribuindo a elas o adjetivo de “put..”. Em vários dos nomes, o autor atribui às mulheres posições sexuais e ofensas, como “só tem cara de santa”, “a pior”, “quem nunca”, além de várias outras com palavras de baixo calão.

Alguns nomes também são acompanhados da referências pessoais (nome dos pais, local de trabalho, entre outros) para que não houvesse dúvidas de a quem o autor se referia.

Denúncia

A advogada Taysa Justimiano foi procurada por várias vítimas que pretendem denunciar o caso. Segundo a advogada, o primeiro passo será reunir as meninas que se sentiram lesadas e fazer todos os boletins de ocorrência.

“São muitas meninas, precisamos reunir todas as provas, como compartilhamentos, capturas de tela, tudo para localizar as pessoas que compartilharam, uma a uma, até a gente tentar encontrar quem foi que elaborou ou divulgou inicialmente esta lista”.

As vítimas informaram à advogada que já encontraram a publicação que teria começado o material que viralizou nas redes sociais. “Dias antes, algumas pessoas receberam mensagens informando que a lista seria divulgada em breve. Então, começaram a divulgar no WhatsApp, que foi a maior fonte de divulgação, e, depois, espalhou para o Facebook, onde se alastrou”.

Segundo a advogada, o passo seguinte será encaminhar o caso ao Judiciário. “Depois do boletim de ocorrência, a gente vai esperar a audiência preliminar, e, possivelmente, entramos com ação de indemnização”.

Fonte: CM / GLOBO